Cinema

Representatividade feminina no cinema

Atualmente, assistir a qualquer filme e reconhecer um personagem protagonista feminino não estereotipado é ainda um desafio. Uma das questões preocupantes na nossa sociedade e que consequentemente reflete nas produções cinematográficas é a falta de representatividade das minorias na construção dos argumentos e histórias e na direção dos filmes.

No caso da representatividade feminina, fica difícil observar personagens verossímeis quando um filme é escrito e dirigido apenas por homens. Não que seja impossível um homem retratar esse universo, mas provavelmente apresentará alguma falha quando não houver uma visão real de alguém que já vivenciou a opressão e as dificuldades em ser e viver como mulher. Essa falha pode se converter em um ponto de vista não detalhado ou até mesmo em representações clichês. Existem milhares de filmes que retratam a figura da mulher como indefesa, tola ou como alguém que precisa ser salva. Muitas vezes a personagem vive à margem do homem ou a sua história gira apenas em torno dele, e na maioria das produções a mulher é a única figura sexualizada do roteiro.

Mas por que o cinema ainda é uma área predominantemente masculina quando nós, mulheres, somos a maioria nas faculdades? O preconceito e a desvalorização da mulher estão presentes no caminho da formação até o ingresso no mercado de trabalho, e esse fato sem dúvida determina a dificuldade em produzir conteúdos mais realistas sobre o universo feminino.

O Teste de Bechdel questiona a falta de representatividade feminina de qualidade seja na literatura, no teatro ou no cinema. Esse teste foi inspirado em uma história da cartunista norte-americana Alison Bechdel, chamada Dykes to Watch Out For, de 1987, e possui o objetivo de avaliar a presença das mulheres em filmes, mas também serve para outras obras, como séries e livros. Para uma produção cultural passar pelo teste, ela precisa responder as seguintes perguntas.

1 – Existem duas ou mais mulheres com nomes?
2 – Elas conversam entre si?
3 – Elas conversam entre si sobre algo que não seja um homem?

alison-bechdel
Alison Bechdel

Aparentemente são perguntas simples e questões relativamente fáceis de serem resolvidas em um roteiro, mas a realidade é exatamente oposta. Sem dúvida é muito mais comum encontrar filmes com dois ou mais homens conversando sobre algo que não seja uma mulher do que o inverso. Nós, mulheres, sabemos que nossa vida e nossas conversas não giram em torno dos homens, mas ainda assim é raro encontrar diálogos e cenas que nos retratem de forma realista. Até mesmo filmes direcionados para as mulheres podem não passar no teste exatamente pelo modo como as protagonistas são estereotipadas.

A página do Facebook SourceFed publicou um trailer sarcástico chamado “A Personagem Feminina Pouco Desenvolvida”, que ironiza a narrativa clichê de filmes que estereotipam as mulheres e as reduzem a uma figura fraca, instável e sem controle emocional.

Ainda ansiamos por mais mulheres no mercado de trabalho e em cargos de liderança em produções cinematográficas, por mais personagens femininas bem desenvolvidas, por mais mulheres contando nossas reais histórias nas telas de cinema. Por mais representatividade feminina na indústria cinematográfica e em tantas outras áreas.

Autora: Débora Delta

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